
Caso de uso
Uma atividade, dois níveis: turma que lê em ritmos diferentes
Como uma professora de 2º ano com crianças ainda silábicas e outras já lendo com fluência trabalha o mesmo objetivo no mesmo dia...
Regulamentação
Parecer descritivo não é redação livre nem boletim disfarçado: existe norma dizendo que a avaliação na educação infantil é acompanhamento e registro, sem objetivo de promoção. Saber o texto da lei muda o que você escreve.
O parecer descritivo registra o percurso de desenvolvimento e aprendizagem da criança, sem transformar a avaliação em nota, classificação ou promoção. Este guia explica o que a legislação exige, o que a escola pode definir e como escrever um relatório útil para a família e para a equipe pedagógica.
A base principal é o artigo 31 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, Lei nº 9.394/1996. O texto determina que a avaliação na educação infantil seja feita mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de promoção, inclusive para o acesso ao ensino fundamental.
Na prática, isso significa que o parecer descritivo educação infantil não deve funcionar como boletim de aprovação, reprovação ou comparação entre alunos. A criança não pode ser retida na educação infantil por não dominar determinada habilidade, por ter dificuldade de adaptação ou por apresentar um ritmo diferente do grupo.
Para aprofundar: atividade em dois níveis para a mesma turma.
O mesmo artigo 31 exige a expedição de documentação que permita atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. A lei não obriga que esse documento tenha exatamente o nome de “parecer descritivo”, “relatório individual do aluno” ou “portfólio”. O nome e o formato podem ser definidos pela escola ou pela rede.
O obrigatório é que exista acompanhamento, registro e documentação capaz de mostrar o percurso da criança. Portanto, um modelo de parecer descritivo pode ser adotado pela instituição, desde que não reduza a avaliação a frases genéricas ou a uma lista de comportamentos sem contexto.
A Resolução CNE/CEB nº 5/2009, que fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, detalha esse trabalho no artigo 10. Ela orienta que as instituições criem procedimentos para acompanhar o trabalho pedagógico e avaliar o desenvolvimento das crianças sem seleção, promoção ou classificação.
A norma também indica que a avaliação deve considerar observações críticas e criativas das atividades, das brincadeiras e das interações das crianças no cotidiano. Ou seja, o relatório não deve nascer apenas de uma atividade pronta ou de uma ficha preenchida no fim do semestre.
As Diretrizes determinam o uso de múltiplos registros feitos por adultos e crianças. Entre os exemplos previstos estão:
Esses materiais ajudam a sustentar o que foi escrito no relatório individual do aluno. Uma frase como “ampliou a participação nas rodas de conversa” ganha consistência quando a professora tem anotações de situações observadas ao longo do período.
A documentação também deve permitir que as famílias conheçam o trabalho da instituição e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. Isso não exige entregar todos os registros produzidos, mas exige comunicação compreensível, respeitosa e baseada em evidências.
A Base Nacional Comum Curricular não entrega um texto pronto de parecer, nem obriga um único modelo para todas as escolas. Ela organiza a educação infantil por direitos de aprendizagem e desenvolvimento, campos de experiência e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento.
Os cinco campos de experiência podem orientar a leitura da trajetória da criança:
Em vez de escrever um relatório dividido apenas entre “comportamento” e “conteúdo”, a professora pode relacionar as observações às experiências vividas. Isso evita que o documento fique centrado em adjetivos sobre a personalidade da criança.
Por exemplo, no campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, é possível registrar como a criança participa de conversas, narra situações, faz perguntas, explora livros ou cria enredos nas brincadeiras. Em “Corpo, gestos e movimentos”, podem aparecer suas explorações no parque, em circuitos, danças, jogos e propostas de cuidado de si.
Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da BNCC ajudam a equipe a planejar e observar, mas não devem virar uma lista automática de códigos no texto enviado à família. Se a escola optar por citar códigos, vale traduzir seu significado em linguagem clara.
| O que é obrigatório | O que a escola pode definir |
|---|---|
| Acompanhamento e registro do desenvolvimento | Nome do documento, como parecer ou relatório |
| Avaliação sem promoção, seleção ou retenção | Periodicidade de entrega às famílias |
| Documentação que ateste processos de desenvolvimento e aprendizagem | Modelo, extensão e campos do formulário |
| Uso de registros variados no acompanhamento pedagógico | Forma de relacionar o texto à BNCC |
| Comunicação que permita à família conhecer o percurso da criança | Organização de portfólio, fotos e devolutivas |
A regra mais útil é simples: descreva uma situação observada, indique o contexto e registre o processo. Evite transformar uma conduta pontual em rótulo permanente.
Quem transforma anotação em documento é o gerador de parecer descritivo da AulaPronta.
Dizer que uma criança “é desinteressada” ou “é agressiva” não explica o que ocorreu, não ajuda a família a compreender o percurso e pode expor a criança a uma marca indevida. O parecer deve falar sobre experiências, interações, iniciativas, apoios oferecidos e avanços em construção.
Veja exemplos de reescrita:
| Juízo de valor ou frase vaga | Descrição mais adequada |
|---|---|
| “É muito agitado.” | “Em propostas que exigem espera, como rodas e jogos com turnos, demonstra necessidade de mediação para organizar sua participação.” |
| “Não presta atenção.” | “Durante leituras mais longas, mantém-se envolvido por períodos menores e retoma a atividade com convites da professora.” |
| “É tímida.” | “Em grupos grandes, costuma observar antes de falar. Em duplas e pequenos grupos, compartilha ideias com mais frequência.” |
| “É agressivo com os colegas.” | “Em disputas por brinquedos, por vezes reage empurrando ou puxando objetos. Tem sido acompanhado na construção de alternativas de diálogo e combinação.” |
| “Está atrasado.” | “Encontra-se em processo de ampliação de suas hipóteses de escrita e demonstra interesse em reconhecer letras presentes em seu nome e em palavras do cotidiano.” |
A escrita acessível não significa simplificar demais. Significa evitar termos técnicos sem explicação, frases acusatórias e conclusões sem registro. A família precisa entender o que a criança viveu, quais conquistas foram percebidas e quais experiências continuarão sendo propostas.
Não existe, na avaliação na educação infantil lei, um prazo nacional único para entregar relatórios. A periodicidade costuma estar no calendário escolar, no regimento e nas orientações da rede ou mantenedora. Algumas instituições fazem devolutivas por semestre, outras em períodos menores.
O maior erro é tentar reconstruir vários meses de convivência em uma única tarde. O esforço diminui quando a coleta acontece durante a rotina, com anotações breves e seleção posterior dos episódios mais significativos.
Um bom modelo de parecer descritivo pode ter abertura sobre a participação no grupo, desenvolvimento organizado pelos campos de experiência, exemplos de situações observadas e uma síntese dos próximos desafios pedagógicos. O texto não precisa ser longo para ser consistente, mas precisa ser específico.
O relatório individual do aluno contém dados pessoais e pode registrar informações sensíveis, especialmente quando aborda saúde, deficiência, necessidades de apoio, contexto familiar ou acompanhamentos especializados. A escola deve tratar esses dados com cuidado, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados, Lei nº 13.709/2018.
Inclua somente o que for necessário para o objetivo pedagógico. Evite detalhes sobre conflitos familiares, hipóteses diagnósticas, medicações ou informações de saúde que não sejam indispensáveis ao acompanhamento educacional. Quando houver laudos e orientações clínicas, o acesso deve ser restrito às pessoas que realmente precisam dessas informações para garantir o atendimento da criança.
Leitura complementar: checklist do planejamento semanal.
Também é importante separar o que vai no parecer entregue à família do que permanece em registro interno de acompanhamento. O documento pedagógico não deve circular em grupos de mensagens, ficar exposto em locais de acesso amplo ou ser usado para comentar a criança com pessoas sem vínculo profissional com ela.
Quanto ao prazo de guarda, não há uma regra nacional única que determine por quantos anos todo parecer descritivo deve ficar arquivado. A escola deve consultar seu regimento, as regras da mantenedora e as orientações do sistema de ensino estadual ou municipal ao qual está vinculada.
Antes de descartar qualquer documentação, a instituição precisa verificar se ela integra o acervo escolar necessário para comprovar a trajetória da criança. Manter arquivo organizado, com controle de acesso e critérios de retenção, reduz perda de informação e exposição indevida de dados.
O parecer descritivo na educação infantil é um registro pedagógico, não uma sentença sobre a criança. A legislação exige acompanhamento, documentação dos processos de desenvolvimento e aprendizagem e avaliação sem finalidade de promoção ou retenção. A BNCC ajuda a dar organização ao texto, enquanto os registros cotidianos dão base para uma escrita concreta e respeitosa.
Para a escola, o desafio é manter esse acompanhamento viável na rotina, sem deixar todo o trabalho para o fim do período. O AulaPronta pode apoiar a organização de planos alinhados à BNCC e atividades em diferentes níveis, facilitando a conexão entre o que foi proposto e o que será observado. Para conhecer o funcionamento, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do AulaPronta.
Você registra uma observação por criança durante o bimestre, pelo celular, e o gerador organiza tudo em um parecer descritivo para revisar e assinar. Nada de texto padrão em que só muda o nome.
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